2.6.12

En

I
Não era aqui quando a luz amarela do poste refletia sobre o lago, o violão regia a métrica da noite.
Crianças correndo por todos os lados, amantes contemplando o sentido do vento e fixando-se ao amor e calor de serem unicamente suficientes para si, fincando em suas memórias o passeio e os sonhos não ditos, os sonhos ainda não sonhados, os milagres que nunca existirão. Neste instante, até o sentimento é oco e o vento passeia livremente por entre esses corações temperados.
A saudade é, por vezes, cruel.

Faz-se valer a oportunidade e o querer, entender o movimento e o saber, chorar e aceitar, criar e morrer.

Aquele que quiser viver que invente a sua sobrevivência.

As crianças não carregam o fardo da paixão, por não haver dúvida e intriga. Aquele que duela contra, ou a favor, do amor está equivocado. Amar é lembrar-se do encanto no desconhecido, no íntimo e imaginário mundo da entrega, é adentrar à luz gerada quando as almas se tocam, quando a pele enruga e arrepia os fios dos pelos sob a pele, concretizando o desejo e elevando espírito no mais delicioso fluido.
Entregar-se, cair, chorar e levantar-se... esperar.
Ninguém que não ama se propõe a não perdoar porque ama.
Amar e perdoar... Perdoar? Amar.
Onde está a sombra da maldade, não sei, mas a sombra da solidão de um só surgiu como a tempestade,  em raios de morte e vida, cruzando-se em águas salgadas escorrendo pelos olhos fechados, desesperados em amor e espanto absolutos, com ondas tão gigantescas que invadiam os poros, cortavam a pele e faziam sangrar.


As lágrimas cicatrizavam as feridas da alma, pois o engano é a pior das realidades.
Que eu nunca mais sofra desta forma.
Que meus cabelos cresçam pela beleza de serem meus e que eu me lembre de onde vim, mas que ninguém esqueça quem eu sou. Nem por 5 minutos. Ninguém vê a maldade antes de apresentar-se à bondade.

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